terça-feira, 6 de outubro de 2009

A decisão

Dizem que a primavera é a estação das renovações. Hora de arrumar a casa, limpar os armários, enfim, dar um jeito naquilo que não presta mais. Pois é, na primavera eu decidi dar um jeito no meu corpo. É chegada a hora daquela palavrinha que a gente odeia: dieta.

Sabe quando você tem certeza de que precisa fazer dieta? Quando a sua mãe diz que você precisa. Caso a sua mãe não seja daquelas sempre falam que você precisa de uns quilos a menos (sim, porque essas vão falar mesmo que você esteja um palito ambulante), dê crédito ao que ela fala, mas dê mais crédito ao que ela não fala, ao que ela sinaliza. O fato é que minha mãe sempre foi normal nesse sentido, nunca tinha me falado para perder peso. Na verdade, hoje em dia ela até desconversa, diz que nunca falou nada. Pois bem, estava eu um dia no computador jogado na cadeira e ela disse ‘nossa, como você está barrigudo!’. Muitas vezes o sinal materno da dieta não vem em forma de ‘você precisa comer menos’. Geralmente ele acontece com um singelo “chega pra lá, não vou caber no sofá com você aí”ou “você ta magro, só tá um pouquinho cheinho”.

Os que não me conhecem devem estar achando que sou um obeso mórbido. Vou logo avisando que não sou, mas adoro fazer um drama. Eu tenho exatamente 71 quilos e 300 gramas distribuídos em 1 metro e 72 centímetros de altura. Acho que a proporção em si nem soa tão mal. O problema sou eu e o meu amiguinho, um com quem eu tenho uma relação de anos pautada no amor e no ódio: o espelho.Talvez eu nem precise de uma dieta como a que eu estou fazendo. Talvez eu esteja exagerando. Pelo menos é isso que as pessoas mais próximas dizem. Eu as ouço? Não.

Muitos de vocês ainda estão se perguntando a razão de tudo. Dessa dieta, desse blog... Como dizem os professores de história, para entender o presente é preciso dar uma olhadinha no passado. Vou tentar situar vocês brevemente.

Forte eu nunca fui, não no sentido de ser grande, um corpo volumoso. Já força, hehe... Posso dizer que na academia em que eu malhava as pessoas não gostavam muito da hora em que eu ia fazer alguns exercícios de perna, por exemplo. Não que elas tivessem inveja da quantidade de peso com a qual eu conseguia me exercitar, elas não gostavam porque sobravam poucas anilhas para elas, eu usava a maioria. Nos braços e peito nunca tive muita força. Conseguia levantar o peso esperado para um homem que treina há um tempo razoável e só. Estava longe do que os meus amigos super fortes da época conseguiam levantar. As minhas pernas eram monstruosas de fortes. Repito, nunca fui grande. Era uma pessoa que você olhava e sabia que treinava só de olhar, mas só de olhar era impossível saber o quanto do meu tempo, da minha dedicação, disciplina e do meu dinheiro eu gastava com o meu corpo. Por que então eu nunca fiquei bem grande, pelo menos do jeito que eu queria? Talvez por uma sucessão de erros na alimentação, por uma sucessão de lesões (dois joelhos, pulsos e músculo da panturrilha esquerda lesionados) ou simplesmente por uma genética que não favorece que eu me torne um The Rock. Como todo mundo, eu não estava satisfeito com o corpo que eu tinha. Hoje tudo o que eu queria era voltar no tempo e voltar a ter o meu corpo de 2007/início de 2008. Difícil admitir, mas eu era o que se pode chamar de rato de academia.

Parar de treinar sério foi com certeza uma das piores coisas que eu fiz na vida. Eu não sei como e nem quando exatamente isso aconteceu. Comecei a ir cada vez menos, me mudei, mudei de academia, mudei o meu círculo social. Eu não larguei o esporte logo e cara. Fui ficando mais indisciplinado, mais relaxado aos poucos. Tudo começa com aquele dia chuvoso em que você está com preguiça e não vai malhar. Depois, aquela semana agitada e você deixa de malhar. Quando você começa a pensar que ‘volta a malhar mês que vem’, aí, meu amigo, você já abandonou o treino há muito tempo. Nesse sentido, o nosso corpo e o tempo são cruéis. Você abandona os treinos e eles te abandonam, simples assim.

Voltar a fazer algo de verdade pelo meu corpo foi uma decisão que eu adiei muito tempo. Estamos em outubro e eu não espero milagres. O meu primeiro objetivo é perder essa gordura que, se por um lado enche as minhas roupas tão carentes de músculos, por outro não poderia ser mais pavorosa. Quero me livrar desse excesso o mais rápido possível. No momento, o temido tecido adiposo é o que mais me incomoda, mais até do que a falta dos músculos no passado tão desenvolvidos.

Tenho uma opinião muito negativa sobre os nutricionistas. Após alguns anos, percebo que a maioria não sabe de nada. É muita presunção minha achar que eu posso acertar mais do que um médico? É. Você liga pra isso? Eu não.

O meu objetivo nesse blog é compartilhar uma experiência que, creio eu, ser comum e universal: a sofreguidão de uma dieta. Não pretendo passar listas de calorias, exercícios, dizendo o que os outros devem ou não comer. Sobre a minha dieta, eu falo de cara que não é nada de outro mundo super-hiper-mega-radical-revolucionário. Eu não passo fome. É o seguinte: sem refrigerante de qualquer espécie (mesmo light – eles contém sódio, que nos fazem reter líquidos), sem doces, sem carboidrato de QUALQUER espécie depois das 6 e fugindo de fritura, embora eu não tenha e saiba que nesse momento não vou parar de comer coisas fritas. E claro, muita água. Se a garganta permitir, muita água gelada (o corpo queima calorias para deixar a água na temperatura ambiente, pelo menos foi o que eu li). A verdade é que, para fechar o pacote, eu sou muito chato para comer e cortar totalmente fritura da minha vida nesse momento seria uma sentença de fome. E eu não quero passar fome. É no auge da fome que a gente comete o pior dos pecados capitais para quem está de dieta: a gula. Muitas das pessoas que fazem dietas são ansiosas. Eu sou um compulsivo de carteirinha. Sei dos meus limites, até onde eu posso ir agora. Quais são os seus limites?

Exercícios. Sim, eu voltei para a academia. Uma academia mais modesta, que atende melhor às minhas condições financeiras atuais. É uma academia que me lembra um pouco a primeira em que eu malhei e onde consegui tantos resultados. Estou otimista.

Encerro esse primeiro contato por aqui. Comentários são bem vindos. Quero trocar experiências, angústias, inseguranças, suor e satisfação com vocês. Quero olhar e saber que eu não estou sozinho nessa e que o bicho não tem sete cabeças como parece.

Força para nós.

Um comentário:

  1. Soulmate!!!

    Que angústia!!

    Relaxa que vai dar tudo certo!! Você é LINDO assim, e com certeza quando estiver em paz com o espelho vai ficar ainda melhor... Mas não se preocupe muito... Tenta curtir a malhação e a dieta, na medida do possível.
    E vamos arrasar no verão!!

    Beijos,
    Soulmate

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